Voolt3D, Bambu Lab ou Masterprint: o que muda no filamento
Tolerância, enrolamento, carretel e umidade explicam por que dois filamentos do mesmo PLA imprimem diferente. Comparamos 7 opções e o custo por peça.
Você imprime a mesma peça, no mesmo perfil de fatiamento, na mesma impressora — e ela sai diferente. Um filamento dá uma superfície lisa, o outro deixa uma faixa mais clara na parede. Um alimenta liso a impressão inteira, o outro trava na metade da madrugada porque o filamento cruzou dentro do carretel.
A diferença raramente está no material. Está no filamento.
Este post não é sobre escolher entre PLA, PETG e ABS — isso a gente já destrinchou aqui — nem sobre um ranking de PLA, que está neste outro. Aqui a pergunta é outra e mais chata de responder: o que exatamente diferencia um filamento bom de um filamento ruim, e quanto disso você consegue verificar antes de comprar.
Eu imprimo desde 2019, já queimei dinheiro em filamento barato que entupiu bico e já paguei caro em importado que não fez diferença nenhuma na peça que eu ia imprimir. O que segue é a lista de coisas que realmente mudam o resultado, na ordem em que elas te afetam.
Os cinco fatores que separam um filamento do outro
1. Tolerância de diâmetro — a que quase ninguém mede
A sua impressora não mede o filamento. Ela assume. Quando você configura 1,75 mm no fatiador, todo o cálculo de quanto plástico empurrar por milímetro de movimento parte dessa premissa. O volume extrudado é proporcional à área da seção do filamento, ou seja, ao quadrado do diâmetro:
V = π × (d/2)² × comprimento_puxado
Isso tem uma consequência que pega muita gente de surpresa: um erro de 3% no diâmetro vira aproximadamente 6% de erro no volume. Um filamento que oscila entre 1,70 e 1,80 mm — o que ainda cabe dentro de uma tolerância declarada de ±0,05 — pode fazer a mesma parede sair com 6% mais ou menos material dependendo de qual trecho do filamento está passando pelo bico naquele momento.
Em peça maciça, isso desaparece. Em parede fina, letra em relevo, encaixe com folga apertada e nas primeiras camadas, aparece.
O que declaram, tipicamente:
| Faixa | Tolerância típica declarada | Erro de volume equivalente |
|---|---|---|
| Genérico sem marca | não declara | imprevisível |
| Nacional consolidado (Voolt3D, Masterprint) | ±0,05 mm | até ~6% |
| Importado premium (Bambu Lab, eSUN, Polymaker) | ±0,02 a ±0,03 mm | até ~3% |
Como verificar sozinho: pegue um paquímetro (mesmo os digitais baratos servem — resolução de 0,01 mm basta), desenrole um metro de filamento e meça em cinco pontos, girando o filamento 90° a cada medição para pegar ovalização. Anote maior, menor e média. Se a diferença entre extremos passar de 0,05 mm, você tem um filamento que vai exigir margem no perfil.
E aqui vem a parte prática: use a média medida como valor de diâmetro no fatiador, em vez do 1,75 nominal. É a calibração de dois minutos que mais melhora peça sem trocar nada de hardware.
2. Ovalização — o problema que a média esconde
Filamento não é sempre redondo. Se ele sai da extrusora e é puxado antes de esfriar completamente, ou se é enrolado sob tensão, a seção vira uma elipse leve. A média de diâmetro pode dar 1,75 certinho e ainda assim o filamento alimentar mal.
Por que importa: o sensor de fim de filamento, a engrenagem do extrusor e o tubo de PTFE são todos dimensionados para seção circular. Filamento oval agarra no tubo e escorrega na engrenagem, e o sintoma é sub-extrusão intermitente — aquela camada que sai fina do nada e volta ao normal duas camadas depois.
É por isso que a medição girada 90° importa mais que a medição em cinco pontos ao longo do comprimento. Se em um mesmo ponto você lê 1,72 num eixo e 1,78 no outro, o problema não é tolerância, é geometria.
3. Enrolamento — o que arruína impressão de 14 horas
Esse é o defeito mais caro, porque ele não estraga a peça: ele para a impressão. Filamento mal enrolado cruza por baixo de uma volta anterior. Enquanto o carretel está cheio, nada acontece. Quando chega perto do fim, a volta cruzada prende, a tração aumenta, e a impressora ou pula passo no extrusor ou trava de vez.
O ponto irônico: isso quase sempre acontece na última hora de uma impressão longa, porque é quando o carretel está mais vazio e a tensão é maior.
Sinais de enrolamento bem feito, que dá para ver na foto do anúncio e ao abrir:
- Voltas paralelas e regulares, camada por camada, sem trecho jogado por cima do outro
- Ponta presa em furo lateral do carretel, não simplesmente enfiada no meio das voltas
- Filamento que não “salta” do carretel quando você solta a ponta
- Vácuo com sílica, lacrado — o filamento já sai de fábrica seco
Este é, honestamente, o ponto em que o filamento nacional mais evoluiu. Filamento brasileiro de 2019 era um jogo de azar; hoje as marcas consolidadas enrolam tão bem quanto importado de linha média.
4. Carretel — chato, mas decide a alimentação
O carretel é o item que ninguém olha no anúncio e que se manifesta o tempo todo:
Papelão é ecológico e mais leve, mas amassa. Um carretel de papelão com o furo central deformado gira com atrito irregular, e isso vira variação de tensão no filamento. Pior: papelão solta partícula, e partícula chega ao bico.
Plástico bem torneado é o padrão útil. Roda liso, aguanta reuso, aceita rolamento adaptado.
Carretel com RFID (Bambu Lab e alguns outros) carrega uma etiqueta que informa material, cor e temperatura recomendada para a impressora. Isso é excelente — se a sua impressora lê. Numa Ender, é um adesivo bonito.
E tem a versão refil, sem carretel nenhum: você compra só o filamento enrolado e usa um carretel reaproveitado. Rende mais barato por quilo e gera menos plástico, mas exige que você já tenha carretel bom guardado e um pouco de paciência para transferir.
5. Umidade — o inimigo silencioso
Todo termoplástico usado em FDM é higroscópico em algum grau: ele absorve água do ar. A ordem, do menos ao mais sedento:
| Material | Sensibilidade à umidade | Sintoma típico |
|---|---|---|
| PLA | baixa a média | fios, superfície fosca irregular |
| PETG | alta | estalos, bolhas, adesão de camada ruim |
| TPU | alta | extrusão irregular, superfície granulada |
| Nylon | extrema | praticamente não imprime úmido |
A água absorvida vira vapor no bico, a 200 °C ou mais. O vapor expande, empurra o plástico de forma descontrolada e sai fazendo aquele estalo de pipoca. O resultado é uma peça com microbolhas e camadas que descolam.
O teste que eu uso: extruda 100 mm no ar, com a impressora parada, e observe. Filete liso, brilhante e saindo reto = seco. Filete áspero, com bolha visível ou saindo torto e estalando = úmido.
E aqui vale ser honesto sobre custo: se você imprime uma vez por mês, guardar bem resolve — saco zip grosso com sílica reativável dentro, e o filamento aberto volta pra lá sempre. Se você imprime toda semana e usa PETG ou TPU, um secador dedicado deixa de ser luxo. A gente comparou as opções neste post sobre caixa secadora.
Comparativo
| Produto | Destaque | Nota | Comprar |
|---|---|---|---|
| Voolt3D PLA Laranja 1kg · Voolt3D | O nacional mais avaliado — 1.108 notas | ⭐ 4.7 | |
| Bambu Lab PLA Lite Black (com carretel) · Bambu Lab | Carretel RFID e tolerância apertada | ⭐ 4.8 | |
| PLA Velvet High Speed 1kg · Velvet | Esconde linha de camada em peça decorativa | ⭐ 4.7 | |
| Masterprint PETG Preto 1kg · Masterprint | Melhor custo por quilo em PETG | ⭐ 4.5 | |
| Voolt3D PETG Verde 1kg · Voolt3D | PETG nacional com histórico mais longo | ⭐ 4.6 | |
| Creality TPU Flexível 1kg · Creality | Abre a categoria de peça flexível | ⭐ 4.3 | |
| SUNLU S1 Plus (secador) · SUNLU | Imprime direto de dentro, com ar circulando | ⭐ 4.4 |
1. Voolt3D PLA Laranja — o padrão nacional de referência

Com 1.108 avaliações e média 4,7, é o filamento nacional com o maior histórico público do Brasil. Isso, por si só, é informação: um filamento com defeito sistemático de enrolamento ou de diâmetro não sustenta essa média nesse volume.
O que você compra aqui é previsibilidade e reposição. Você acaba o filamento numa sexta e recompra o mesmo no sábado. Para quem usa impressão 3D como ferramenta — suporte, gabarito, peça de reposição de eletrodoméstico, caixa de projeto — isso vale mais que 0,02 mm de tolerância.
Pontos positivos
- 1.108 avaliações e média 4,7 — o maior histórico entre nacionais
- Enrolamento consistente, que é onde o nacional mais melhorou
- Reposição rápida, sem depender de importação
- Preço por quilo compatível com uso frequente
Pontos negativos
- Tolerância declarada mais larga que a dos importados premium
- Cor varia entre lotes — compre dois filamentos juntos se a peça for grande
Quando NÃO comprar: se a sua peça é um encaixe de precisão que precisa entrar com folga de décimo de milímetro e você não quer calibrar fluxo, um importado com tolerância declarada mais apertada te poupa uma tarde.
2. Bambu Lab PLA Lite — vale se a impressora for Bambu

A linha Lite é a versão de custo reduzido do PLA Basic da Bambu: mesma cadeia de fabricação, formulação simplificada, feita para quem imprime volume. Vem com carretel reutilizável e etiqueta RFID.
Aqui está o ponto que decide a compra: a RFID só faz sentido em impressora Bambu com AMS. Nesse caso, o ganho é real — o AMS lê material e cor, ajusta temperatura e ainda sabe quanto sobrou de filamento. Fora desse ecossistema, você está pagando pelo controle de diâmetro e pelo carretel, não pela etiqueta.
E o controle de diâmetro é bom. É a diferença entre calibrar fluxo por filamento e simplesmente imprimir.
Pontos positivos
- Carretel com RFID: a Bambu com AMS identifica material e cor sozinha
- Controle de diâmetro entre os mais apertados disponíveis no Brasil
- Média 4,8 nas avaliações brasileiras
- Carretel reutilizável de boa qualidade, que aceita refil depois
Pontos negativos
- O benefício da RFID some fora do ecossistema Bambu
- Estoque oscila — depende de importação
- Custa mais por quilo que o nacional equivalente
Quando NÃO comprar: se a sua impressora é Ender, Kobra, Elegoo ou qualquer coisa fora da linha Bambu e você já calibra fluxo por filamento, o nacional entrega o mesmo resultado por menos.
3. PLA Velvet High Speed — para peça que fica à vista

Filamento com acabamento aveludado é um truque bom: a superfície fosca espalha a luz em vez de refleti-la em linha, e isso disfarça a linha de camada. Peça decorativa impressa em Velvet parece impressa em camada menor do que realmente foi.
O “High Speed” é a outra metade da história. Impressoras modernas imprimem a 250-300 mm/s, e PLA comum não derrete rápido o suficiente para acompanhar — o resultado é sub-extrusão nas paredes externas. Formulações High Speed ajustam o índice de fluidez para fundir mais rápido.
Pontos positivos
- Acabamento aveludado esconde linha de camada sem lixar
- Formulado para alta velocidade — acompanha impressora moderna
- 969 avaliações com média 4,7
- Excelente para vaso, luminária, miniatura e peça de exposição
Pontos negativos
- Superfície fosca marca digital com facilidade
- Não aceita bem tinta sem primer
- Continua sendo PLA — deforma em ambiente quente
Quando NÃO comprar: peça funcional escondida dentro de um gabinete não ganha nada com acabamento aveludado. Guarde o Velvet para o que fica à vista.
4. Masterprint PETG Preto — o PETG que dá pra usar sem dó

PETG é o material que resolve a maior parte das peças que o PLA não aguenta: suporte que fica no sol, peça dentro do carro, caixa de projeto que esquenta, gabarito que leva pancada. O problema histórico foi preço — PETG nacional era caro o suficiente para você pensar duas vezes antes de imprimir um protótipo nele.
Isso mudou. O Masterprint PETG tem o melhor custo por quilo da lista, e é aí que ele muda o seu comportamento: você para de reservar PETG para a peça final e passa a prototipar direto nele.
Preto opaco, além disso, é a cor mais estável de lote para lote em qualquer marca — porque o pigmento preto domina qualquer variação de base.
Pontos positivos
- Melhor custo por quilo em PETG entre as opções verificadas
- Resiste a calor e impacto — cobre a peça funcional de verdade
- Preto opaco é a cor mais previsível entre lotes
- 228 avaliações com média 4,5
Pontos negativos
- PETG absorve umidade rápido — guardar com sílica é obrigatório
- Adere demais em PEI lisa; use face texturizada ou separador
- Exige mais ajuste de retração que PLA por causa dos fios
Quando NÃO comprar: se você está começando e ainda não tem a primeira camada resolvida, PETG vai te dar dois problemas ao mesmo tempo. Domine o PLA primeiro.
5. Voolt3D PETG Verde — histórico longo, comportamento previsível

448 avaliações e média 4,6 fazem deste o PETG nacional mais testado da lista. E ele tem uma vantagem sutil sobre o Masterprint: sai da mesma cadeia de fabricação do PLA Voolt3D. Se você já usa o PLA da marca e conhece o comportamento dela, o PETG se encaixa no mesmo padrão mental — mesma qualidade de enrolamento, mesmo tipo de carretel, mesma tolerância declarada.
O verde translúcido tem um uso prático que raramente é mencionado: em peça de teste, você enxerga o preenchimento por dentro. Para diagnosticar sub-extrusão ou parede que não fechou, é muito mais rápido que cortar a peça.
Pontos positivos
- PETG nacional com o maior número de avaliações — 448, média 4,6
- Mesma cadeia de fabricação do PLA Voolt3D: comportamento previsível
- Translucidez ajuda a inspecionar preenchimento em peça de teste
- Reposição nacional, sem espera de importação
Pontos negativos
- Preço por quilo acima do Masterprint
- Cor translúcida evidencia qualquer defeito de camada
- Como todo PETG, exige controle de umidade
Quando NÃO comprar: se a peça é para ficar à vista em acabamento sério, translúcido verde limita muito. Vá de preto.
6. Creality TPU — a categoria que falta na sua estante

TPU é o material que a maioria das pessoas adia comprar e depois não entende como viveu sem. Ele abre uma classe inteira de peça que o PLA e o PETG simplesmente não fazem: pé antiderrapante de móvel, capa de proteção, gaxeta de vedação, amortecedor, alça flexível, suporte que precisa dar folga.
Ele tem duas características que ajudam iniciante: não empena — TPU é o material mais tolerante a mesa mal nivelada de todos — e adere muito bem. Mas exige o oposto na parte mecânica: filamento flexível em extrusora bowden (aquele tubo longo entre motor e bico) vira uma minhoca dentro do tubo. Em direct drive, funciona sem drama.
Regra prática de fatiamento: reduza velocidade para 20-30 mm/s, corte retração quase a zero e desligue qualquer aceleração agressiva.
Pontos positivos
- Abre a categoria de peça flexível — pé de móvel, capa, gaxeta, amortecedor
- Não empena: o material mais tolerante a mesa desnivelada
- A Creality fabrica impressora e filamento, então os perfis batem
- 308 avaliações — volume razoável para um material de nicho
Pontos negativos
- Extrusora bowden sofre muito — o ideal é direct drive
- Exige velocidade bem baixa: 20-30 mm/s
- Nota 4,3, a mais baixa da lista
- Absorve umidade tão rápido quanto PETG
Quando NÃO comprar: se a sua impressora é bowden e você não pretende converter para direct drive, TPU vai te dar mais frustração que peça. Espere o upgrade.
7. SUNLU S1 Plus — quando guardar bem não basta mais

Um secador de filamento não melhora filamento ruim. Ele impede que filamento bom vire ruim.
O S1 Plus tem ventilação forçada, o que é a diferença que importa: caixas sem ventilador só aquecem o ar parado lá dentro, e ar parado saturado não seca mais nada. Com circulação, o vapor sai de perto do filamento continuamente. E você imprime de dentro dele — o filamento passa direto para a impressora enquanto seca, o que resolve o problema de umidade em impressão de 12 ou 18 horas, quando o filamento passa a noite inteira exposto.
Com 3.113 avaliações e média 4,4, é o secador mais testado do mercado brasileiro.
Pontos positivos
- 3.113 avaliações com média 4,4 — o mais testado do Brasil
- Ventilação forçada: circula ar em vez de só aquecer o ambiente fechado
- Imprime direto de dentro, resolvendo umidade em impressão longa
- Serve para PLA, PETG, TPU e nylon com temperaturas diferentes
Pontos negativos
- Custa o equivalente a vários filamentos — só compensa com uso frequente
- Cabe um carretel por vez
- Não recupera filamento que já degradou quimicamente, só o úmido
Quando NÃO comprar: se você imprime uma vez por mês e só em PLA, saco zip com sílica reativável resolve por uma fração do preço. Compre o secador quando o PETG ou o TPU entrarem na rotina.
Quanto custa uma peça de verdade
A conta que ninguém faz antes de comprar impressora, e que muda a percepção de “caro”:
Passo 1 — custo do plástico. Divida o preço do filamento por 1.000 para achar o custo por grama. O fatiador informa o peso da peça. Multiplique.
Passo 2 — energia. Uma impressora FDM comum, com mesa aquecida, puxa entre 80 e 150 W em regime (o pico é no aquecimento inicial). Isso dá aproximadamente 0,08 a 0,15 kWh por hora de impressão. Multiplique pelo seu valor de kWh na conta de luz.
Passo 3 — desgaste. Bico de latão dura algo entre 300 e 800 horas com PLA e PETG; com filamento carregado de fibra ou brilho metálico, cai para uma fração disso. Isso é centavos por hora, mas existe.
Exemplo real, para uma peça de 45 g que leva 4 horas:
| Item | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| Plástico | 45 g de um filamento de 1 kg | 4,5% do total |
| Energia | 4 h × ~0,12 kWh | ~0,5 kWh |
| Bico | 4 h de ~500 h de vida | 0,8% de um bico |
A conclusão que costuma surpreender: o plástico domina o custo. A energia de uma impressão de 4 horas equivale a deixar uma lâmpada de 100 W ligada pelo mesmo tempo. Por isso filamento barato demais é uma economia falsa — o que você economiza no quilo, perde na impressão que falhou na hora 11.
Checklist antes de fechar a compra
- O diâmetro bate com a sua impressora? 1,75 mm é o padrão amplo; 2,85 mm existe em máquinas mais antigas ou industriais. Conferir parece bobo, mas o erro acontece.
- A tolerância está declarada? Anúncio que não declara tolerância nenhuma é sinal de que ela é larga.
- A embalagem é a vácuo, com sílica? Filamento que chega em saco solto já veio absorvendo umidade do caminho.
- O carretel é de plástico? Papelão amassa e solta partícula.
- O material combina com o uso? PLA para o que fica dentro de casa, PETG para calor e impacto, TPU para o que precisa flexionar.
- A sua extrusora é bowden ou direct drive? Isso decide se TPU é opção.
- Vai precisar de mais de um filamento na mesma peça? Compre os dois juntos, do mesmo lote.
- Você tem onde guardar? Saco zip grosso com sílica reativável é o mínimo. Sem isso, PETG e TPU degradam em semanas.
Como escolher, em uma linha cada
- Primeiro filamento, quer imprimir hoje? Voolt3D PLA — nacional, reposição rápida, histórico enorme.
- Tem Bambu com AMS? Bambu Lab PLA Lite — a RFID paga a diferença.
- Peça decorativa que fica à vista? PLA Velvet High Speed.
- Peça funcional que pega calor ou pancada? Masterprint PETG Preto.
- Já usa Voolt3D e quer PETG previsível? Voolt3D PETG Verde.
- Precisa de peça que flexiona e tem direct drive? Creality TPU.
- PETG ou TPU entraram na rotina? SUNLU S1 Plus, e pare de brigar com umidade.
🔬 O teste dos dois minutos que vale mais que qualquer review: meça o filamento novo com paquímetro em cinco pontos, girando 90° a cada um. Coloque a média no campo de diâmetro do fatiador em vez do 1,75 nominal. Se a diferença entre o maior e o menor valor passar de 0,05 mm, aumente a espessura de parede em uma linha. Essa calibração de dois minutos melhora mais peça do que trocar de marca.
E se a sua estante de filamento já virou pilha no canto da mesa, vale dar uma olhada nas ideias de organização de oficina com impressão 3D que a gente montou lá no Reforma Caseira — muita coisa você imprime com o próprio filamento que acabou de comprar.
Perguntas frequentes
Filamento nacional é pior que importado? Não em qualidade média — em consistência declarada. Nacional bom imprime bem; só costuma declarar tolerância mais larga. Para peça funcional, irrelevante.
O que é tolerância de diâmetro? Quanto o diâmetro real pode variar em torno de 1,75 mm. Como o volume depende do quadrado do diâmetro, 3% de erro vira ~6% de material a mais ou a menos.
Vale a pena carretel RFID? Só se a impressora lê — hoje, essencialmente Bambu Lab com AMS. Em qualquer outra, é adesivo.
Como sei se o filamento está úmido? Estalo durante a extrusão, bolhas na superfície e camadas que descolam. Teste extrudando 100 mm no ar e olhando o filete.
Dá pra secar no forno? Dá, com risco. PLA amolece perto de 60 °C e forno doméstico oscila demais. Secador dedicado existe porque a faixa é estreita.
Posso misturar marcas na mesma peça? Pode, mas a emenda aparece. Se a peça vai passar de um filamento, compre os dois juntos.
Fontes consultadas
- Documentação técnica e fichas de dados (TDS) dos fabricantes Bambu Lab, Creality, Voolt3D e Masterprint
- Documentação do fatiador PrusaSlicer e do OrcaSlicer sobre calibração de fluxo, diâmetro de filamento e testes de temperatura
- Discussões técnicas em r/3Dprinting e r/FixMyPrint sobre sintomas de umidade, ovalização e falha de enrolamento
- Avaliações públicas de compradores brasileiros na Amazon Brasil, consultadas em 23/08/2026
- Testes práticos do autor com paquímetro digital e calibração de fluxo em impressora FDM cartesiana
Ficou com dúvida em qual filamento comprar para a sua impressora? Fale com a gente — respondo com a configuração que eu usaria.
Resumo dos produtos avaliados
Voolt3D
Voolt3D Filamento PLA Laranja 1kg 1,75mm
Confira o preço atualizado na loja
Pontos positivos
- Marca nacional com o maior volume de avaliações do país — 1.108 notas, média 4,7
- Enrolamento bem feito: é o item onde o filamento nacional mais evoluiu nos últimos anos
- Reposição rápida: você não fica dois meses esperando um lote importado chegar
Pontos negativos
- Tolerância declarada é mais larga que a dos importados premium
- Variação de cor entre lotes: se a peça é grande e você vai emendar filamento, compre os dois juntos
Bambu Lab
Bambu Lab PLA Lite Black 1,75mm 1kg (com carretel)
Confira o preço atualizado na loja
Pontos positivos
- Carretel com etiqueta RFID: a impressora Bambu identifica material e cor sozinha
- Controle de diâmetro mais apertado que a média — menos ajuste de fluxo
- A linha Lite é a versão de custo reduzido do PLA Basic, feita para impressão de volume
Pontos negativos
- O ganho de RFID só existe se a sua impressora for Bambu com AMS
- Depende de importação — o estoque some e volta
Velvet
Filamento PLA Velvet High Speed 1kg 1,75mm
Confira o preço atualizado na loja
Pontos positivos
- Acabamento aveludado esconde linha de camada — peça decorativa sai melhor sem lixar
- Formulado para alta velocidade, acompanha impressora moderna sem perder qualidade
- 969 avaliações com média 4,7 — histórico consistente
Pontos negativos
- Superfície fosca marca dedo e não aceita bem pintura sem primer
- Continua sendo PLA: não serve para peça exposta a calor
Masterprint
Masterprint Filamento PETG Preto 1,75mm 1kg
Confira o preço atualizado na loja
Pontos positivos
- PETG nacional com o melhor custo por quilo da lista — dá pra usar sem contar grama
- Aguenta calor e impacto: cobre a peça funcional que o PLA não aguenta
- Preto opaco é a cor mais estável de lote para lote em qualquer marca
Pontos negativos
- PETG absorve umidade bem mais rápido que PLA — exige guardar com sílica
- Gruda demais em PEI lisa; use a face texturizada ou separador
Voolt3D
Voolt3D Filamento PETG Verde 1kg 1,75mm
Confira o preço atualizado na loja
Pontos positivos
- 448 avaliações com média 4,6 — o PETG nacional mais testado da lista
- Mesma cadeia de fabricação do PLA Voolt3D, então o comportamento é previsível
- Translucidez do verde ajuda a enxergar preenchimento em peça de teste
Pontos negativos
- PETG colorido translúcido evidencia qualquer defeito de camada
- Preço por quilo acima do Masterprint
Creality
Creality Filamento TPU Flexível 1,75mm 1kg
Confira o preço atualizado na loja
Pontos positivos
- Abre a categoria de peça flexível: pé de móvel, capa, gaxeta, amortecedor
- A Creality fabrica impressora e filamento — os perfis dela costumam funcionar direto
- TPU não empena: é o material mais tolerante a mesa mal nivelada
Pontos negativos
- Extrusora bowden sofre com flexível — o ideal é direct drive
- Nota 4,3 é a mais baixa da lista, e TPU é o material que mais castiga impressora antiga
SUNLU
SUNLU S1 Plus — secador de filamento com ventilação
Confira o preço atualizado na loja
Pontos positivos
- 3.113 avaliações com média 4,4 — o secador mais testado do mercado brasileiro
- Ventilação forçada: circula ar seco em vez de só aquecer o ambiente fechado
- Imprime direto de dentro dele, o que resolve umidade em impressão longa
Pontos negativos
- Custa quase o preço de três filamentos — só compensa se você imprime toda semana
- Cabe um carretel por vez; quem tem quatro cores abertas fica revezando