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Notebook até R$ 4.000: Dell i5 ou Lenovo Ryzen 7?

Comparativo entre os dois notebooks mais vendidos na faixa de R$ 4.000: processador, memória, tela e o upgrade possível em cada um.

Os dois notebooks mais vendidos da Amazon na faixa dos R$ 4.000 parecem, na listagem, produtos equivalentes: mesmos 8 GB de RAM, mesma tela de 15 polegadas, preço na mesma vizinhança. O Lenovo custa até um pouco menos.

Só que eles são aparelhos bem diferentes, e a diferença está escondida em dois detalhes que a vitrine não destaca: o sistema operacional e o tamanho do SSD.

A tabela que resolve metade da dúvida

Produto Destaque Nota Comprar
Dell 15 I1300-A30P · Dell i5-1334U, 512 GB, Windows 11, tela 120 Hz ⭐ 4.6
Lenovo IdeaPad Slim 3 · Lenovo Ryzen 7 7735HS, 256 GB, Linux, mais potente ⭐ 5.0
Dell 15 I1300-A30PLenovo IdeaPad Slim 3
ProcessadorIntel Core i5-1334UAMD Ryzen 7 7735HS
Linha do chipU — baixo consumoHS — alto desempenho
Memória8 GB8 GB
Armazenamento512 GB256 GB
VídeoIntel UHD GraphicsAMD Radeon Graphics
Tela15,6” FHD 120 Hz antirreflexo15,3”
SistemaWindows 11 HomeLinux
RedeWi-Fi 6—
Avaliações4,6 ★ (1.311)5,0 ★ (33)

A letra no fim do nome do processador

Esse é o dado técnico que mais muda a conversa, e ele cabe em duas letras.

O i5-1334U do Dell pertence à linha U da Intel: chips projetados em torno de um envelope de aproximadamente 15 W, feitos para durar bateria, rodar frio e caber em máquina fina. São ótimos em produtividade leve e ruins quando o trabalho é longo e pesado, porque o limite térmico obriga o chip a recuar.

O Ryzen 7 7735HS do Lenovo pertence à linha HS da AMD: envelope térmico bem maior, 8 núcleos físicos e 16 threads. É a linha que aparece em notebook de criação de conteúdo e em gamer de entrada.

Traduzindo para uso real:

  • Navegador, Office, videochamada, streaming: empate. Você não vai sentir diferença nenhuma.
  • Editar vídeo, compilar, rodar máquina virtual, exportar arquivo grande: o Lenovo abre uma vantagem clara e sustentada.
  • Bateria e temperatura no colo: aqui o Dell devolve o golpe, porque é para isso que a linha U existe.

O que “mais potente” custa na prática

Vale detalhar essa troca, porque ela não é de graça e quase ninguém conta.

Um chip da linha HS trabalha com um envelope térmico bem maior que o de um chip U. Isso tem três consequências diretas no uso diário:

  • Ventoinha. Em carga pesada, uma máquina HS liga a ventoinha mais cedo e mais alto. Num notebook fino de entrada, cujo sistema de dissipação é dimensionado para o preço, isso é audível.
  • Calor. A base esquenta mais. Se você trabalha com o notebook literalmente no colo, é um fator real.
  • Bateria. Chips de baixo consumo existem exatamente para durar mais longe da tomada. Em uso leve a diferença encolhe, porque os dois reduzem consumo quando ociosos, mas sob carga o HS drena visivelmente mais rápido.

Traduzindo em cenário: se o seu dia é trabalhar em cafeteria e reunião, longe da tomada, a linha U foi feita para você. Se é trabalhar na mesa, com o carregador plugado, e exportar arquivo pesado, a linha HS entrega o que a U não consegue.

E a parte gráfica?

Esse é o segundo lugar onde a distância aparece, e a listagem não explica.

O Dell traz Intel UHD Graphics, que é a gráfica integrada básica — dá conta de vídeo, navegador, apresentação e monitor externo, e não foi feita para mais que isso.

O Lenovo traz AMD Radeon Graphics integrada à linha 7735HS, que pertence a uma geração de gráficas integradas sensivelmente mais capazes. Não substitui placa dedicada, mas abre espaço para edição leve de vídeo, trabalho com imagem e jogos mais antigos em resolução e qualidade reduzidas — coisas em que a UHD trava.

Se o uso é estritamente escritório, isso não muda nada. Se há qualquer criação de conteúdo envolvida, muda bastante.

Notebook Dell 15 I1300-A30P aberto, com tela Full HD antirreflexo

O Dell também leva a tela, e esse é um item que costuma passar batido: FHD de 120 Hz com acabamento antirreflexo. Os 120 Hz não têm a ver com jogo — o que muda é a suavidade do cursor e da rolagem, que fica visivelmente mais agradável que os 60 Hz padrão dessa faixa. O antirreflexo ajuda em mesa com janela atrás. Some o leitor de cartão SD, o USB 3.2 Type-C e o Wi-Fi 6.

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O desconto do Lenovo tem nome: Linux

Notebook Lenovo IdeaPad Slim 3 com tela de 15,3 polegadas

Aqui está o detalhe que mais gera arrependimento nessa faixa de preço. O Lenovo não vem com Windows — vem com Linux pré-instalado.

Isso não é defeito, é uma escolha de configuração que barateia a máquina. Mas precisa entrar na sua conta antes da compra, não depois:

  • Se o seu uso é navegador, documentos e videochamada, o Linux resolve. Ubuntu ou Mint instalam em meia hora e você fica com um notebook mais potente por menos dinheiro.
  • Se você depende de um programa que só roda em Windows — e muito software de trabalho no Brasil está nessa situação —, some o custo da licença ao preço do aparelho. Feita essa soma, a vantagem de preço encolhe bastante.

O segundo ponto é o SSD de 256 GB, metade do Dell. Entre o sistema e alguns programas grandes, 256 GB enchem rápido.

A boa notícia é que esse é o defeito mais fácil de corrigir: na maior parte dos IdeaPad Slim dessa geração o armazenamento é um SSD M.2 NVMe removível. Trocar por um de 1 TB é um dos upgrades mais simples que existem e custa uma fração da diferença entre categorias de notebook — vale conferir no manual do modelo exato qual formato e qual geração PCIe ele aceita antes de comprar a peça.

E vale a mesma ressalva do comparativo de roteadores: 5,0 estrelas com 33 avaliações não é o mesmo que 4,6 com 1.311. A nota do Lenovo é excelente, mas ainda está sendo construída; a do Dell já passou por muito mais gente.

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O problema que os dois têm

Oito gigabytes de RAM. Nos dois.

Em 2026, com Windows 11, 8 GB são o mínimo viável: dão conta de navegador com poucas abas, Office e reunião, mas começam a recorrer à memória virtual quando você empilha vinte abas com um comunicador aberto e uma planilha pesada. O sintoma é a máquina ficar lenta de repente mesmo com o processador ocioso.

Antes de fechar a compra, vale checar na especificação do modelo se há slot livre para acrescentar um pente ou se a memória é soldada à placa. Isso muda completamente o que dá para fazer depois, e é informação que raramente aparece em destaque no anúncio.

Soldada, um slot ou dois: a diferença que decide o futuro da máquina

Notebooks dessa faixa aparecem em três arranjos, e o anúncio quase nunca diz qual:

ArranjoO que dá para fazer
Dois slots, um ocupadoMelhor cenário: acrescenta um pente e vai a 16 GB barato
Um slot só, ocupadoDá para trocar, mas o pente antigo é descartado
Soldada, sem slotNada. O notebook morre com 8 GB

O terceiro caso é mais comum do que se imagina em máquinas finas, e é o que transforma um notebook de R$ 4.000 em algo descartável em três anos.

Onde procurar a resposta: o manual de serviço do modelo exato, publicado pelo fabricante e localizável pelo número de série ou código do produto. É um documento técnico, gratuito, e diz exatamente quantos slots existem e qual o máximo suportado.

Vale ainda uma nota sobre arquitetura que pouca gente considera: com um pente só, a memória trabalha em canal único. Com dois pentes, trabalha em canal duplo, e a banda de memória disponível praticamente dobra. Isso importa especialmente em máquinas com gráfica integrada, porque a gráfica usa a mesma memória do sistema — é comum ver ganho perceptível em desempenho gráfico só por sair de um pente de 8 GB para dois de 8 GB, mesmo sem aumentar o total útil de forma dramática.

O que conferir quando o notebook chegar

Três verificações que levam dez minutos e evitam dor de cabeça dentro do prazo de troca:

  • A configuração é a anunciada? Confira processador, memória e armazenamento nas informações do sistema. Divergência entre anúncio e produto acontece, e o prazo para reclamar é curto.
  • A tela tem pixel morto ou mancha? Abra uma imagem branca e uma preta em tela cheia e olhe com atenção.
  • A bateria está saudável? Em máquina nova, a capacidade de projeto e a capacidade atual devem ser praticamente iguais. Diferença grande indica aparelho parado em estoque por muito tempo.

Pontos positivos

  • O Lenovo entrega processador de categoria superior por menos dinheiro
  • O Dell chega pronto para usar, com Windows e 512 GB
  • Os dois aceitam upgrade de SSD, que é barato e resolve armazenamento

Pontos negativos

  • Os 8 GB de RAM são o gargalo dos dois, não o processador
  • O preço menor do Lenovo embute a ausência da licença do Windows
  • A nota 5,0 do Lenovo vem de uma amostra ainda pequena

Qual comprar

Compre o Dell se você quer ligar e usar, depende de Windows, não pretende abrir o aparelho para mexer em nada, e valoriza os 512 GB e a tela de 120 Hz. É a escolha previsível, com a reputação mais estabelecida das duas.

Compre o Lenovo se o seu trabalho é pesado — edição, desenvolvimento, virtualização —, se você não se incomoda com Linux ou já tem licença de Windows, e se está disposto a somar um SSD maior depois. Você leva um processador de outra categoria pagando menos.

Não compre nenhum dos dois se o uso é só navegador e documento e o orçamento aperta. Nesse caso, qualquer máquina com processador de entrada e 8 GB faz o mesmo trabalho, e o dinheiro rende mais em outro lugar.

A conta que muda a comparação

Vale fazer as contas completas antes de declarar um vencedor por preço, porque o preço da vitrine não é o preço final de nenhum dos dois.

Se você escolher o Lenovo e precisar de Windows, some a licença. Se escolher o Lenovo e achar 256 GB pouco, some um SSD de 1 TB. Feitas as duas somas, ele deixa de ser o barato da dupla — e a decisão volta a ser sobre potência de processador, não sobre preço.

Se você escolher o Dell, o SSD de 512 GB já resolve por um bom tempo e o Windows já está pago. A conta fecha na própria vitrine.

Existe ainda uma terceira estratégia, que é a mais eficiente para quem não tem medo de abrir o aparelho: comprar a base com o melhor processador e resolver memória e armazenamento por fora. Pente de memória e SSD NVMe são as duas peças com melhor relação entre custo e ganho no mercado de componentes, e ambas costumam custar bem menos do que a diferença entre duas configurações de fábrica do mesmo modelo.

A condição para essa estratégia funcionar é a checagem que mencionei acima: confirmar no manual de serviço que há slot de memória livre. Sem isso, a estratégia vira aposta.

O que nenhum dos dois resolve

Uma nota de expectativa, porque essa faixa de preço tem limites que não dependem de marca.

Nenhum dos dois tem placa de vídeo dedicada. Para jogo moderno em configuração alta, edição de vídeo em 4K com múltiplas camadas ou renderização 3D, a conversa é outra categoria e outro orçamento.

Nenhum dos dois tem tela de alta fidelidade de cor. Para trabalho de design em que a cor precisa ser confiável, o painel dessa faixa não entrega — e isso não aparece na ficha técnica, que fala de resolução e taxa de atualização, não de cobertura de espectro.

E os dois têm 8 GB de memória, que é o gargalo real. Se eu tivesse que escolher um único upgrade para qualquer um deles, seria esse, antes de qualquer outra coisa.

Fechando

A comparação parece ser sobre Intel contra AMD, mas não é. É sobre o que cada fabricante cortou para chegar ao mesmo preço: a Dell cortou desempenho de processador, a Lenovo cortou sistema operacional e armazenamento.

Escolha pelo corte que menos atrapalha o seu uso — e, se for o Lenovo, já reserve o valor do SSD e da licença na hora de fazer a conta.

Resumo dos produtos avaliados

#1
Notebook Dell 15 15-I1300-A30P Intel Core i5-1334U

Dell

Notebook Dell 15 15-I1300-A30P Intel Core i5-1334U

4.6

Confira o preço atualizado na loja

Pontos positivos

  • Já vem com Windows 11 Home ativado
  • 512 GB de SSD: o dobro do concorrente
  • Tela FHD de 120 Hz antirreflexo, rara nessa faixa
  • 1.311 avaliações sustentando a nota 4,6

Pontos negativos

  • i5-1334U é processador de 15 W, focado em economia
  • Gráficos Intel UHD, os mais fracos dos dois
  • 8 GB de RAM ficam apertados para muitas abas
#2
Notebook Lenovo IdeaPad Slim 3 15.3 AMD Ryzen 7 7735HS

Lenovo

Notebook Lenovo IdeaPad Slim 3 15.3 AMD Ryzen 7 7735HS

5.0

Confira o preço atualizado na loja

Pontos positivos

  • Ryzen 7 7735HS: 8 núcleos e envelope de potência bem maior
  • Radeon integrada é sensivelmente mais forte que a UHD
  • Custa menos que o Dell

Pontos negativos

  • Vem com Linux, não com Windows: licença é custo extra
  • Apenas 256 GB de SSD
  • Só 33 avaliações até agora